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Preço do boi gordo sobe mais de 5% mesmo após abate recorde em 2025

O mercado de boi gordo mostra resiliência no início de 2026. Apesar do volume histórico de abates no ano anterior, a demanda externa aquecida e a restrição de oferta no campo sustentam a valorização do indicador — trazendo boas perspectivas para o criador.

Editorial Canal Porteira

Equipe Canal Porteira

O mercado pecuário brasileiro inicia 2026 contrariando a lógica tradicional de oferta e demanda. Mesmo após um abate recorde de 42,5 milhões de cabeças em 2025, os preços do boi gordo seguem em alta, impulsionados por fatores que vão além do volume produzido.

Recorde de abate não derruba preços

Em condições normais, um aumento expressivo na oferta levaria à queda das cotações. No entanto, o cenário atual mostra uma mudança na dinâmica do mercado.

O volume recorde de abates não foi suficiente para pressionar os preços, sinalizando um equilíbrio diferente entre oferta e demanda.

Indicador registra alta em fevereiro

O Indicador do Boi Gordo do CEPEA/ESALQ registrou valorização superior a 5% em fevereiro de 2026.

O movimento reforça a tendência de sustentação dos preços mesmo diante de uma base produtiva elevada.

Exportações puxam o mercado

Um dos principais fatores por trás da alta é o desempenho das exportações.

Com a demanda internacional aquecida, parte relevante da produção é direcionada ao mercado externo, reduzindo a oferta disponível no mercado interno e ajudando a sustentar os preços.

Oferta restrita nas fazendas

Apesar do abate elevado em 2025, a disponibilidade de animais prontos para abate segue limitada em muitas regiões.

Esse fator contribui para manter o mercado firme, especialmente em momentos de maior demanda.

Consumo interno mostra resiliência

Outro ponto de sustentação é o consumo doméstico, que se mantém relativamente estável mesmo diante da pressão inflacionária sobre a renda das famílias.

A combinação entre demanda interna e externa cria um ambiente de preços mais equilibrado.

Nova dinâmica de preços no setor

O cenário indica uma mudança estrutural no mercado pecuário brasileiro.

O mercado externo passa a atuar como um regulador mais eficiente, absorvendo excedentes e reduzindo a volatilidade negativa dos preços no mercado interno.

Atenção ao custo de reposição

Para o pecuarista, o momento é de otimismo moderado, mas com cautela.

O custo de reposição, especialmente do bezerro, também apresentou alta no período, o que pode impactar a margem das operações.

Destaques

▸ Abate recorde de 42,5 milhões de cabeças não pressionou preços — exportações enxugaram a oferta
▸ Indicador do CEPEA/ESALQ sobe mais de 5% em fevereiro de 2026
▸ Oferta restrita, exportações fortes e consumo interno firme sustentam a valorização

Fonte: CEPEA/ESALQ — Indicador do Boi Gordo, fevereiro de 2026

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